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El Nino 2026: previsoes oficiais e como se preparar no Agreste Paraibano

El Nino 2026 - tempo severo no Semiarido

Tempo severo no semiarido: chuvas irregulares e seca prolongada marcam o clima do Agreste. (Fonte: Pexels)

Atualizado em junho de 2026 — O El Nino voltou. Depois de um período de neutralidade climática no início de 2026, os órgãos oficiais de meteorologia do Brasil e do mundo confirmam: o fenômeno já está em curso e deve se intensificar ao longo do segundo semestre, com impactos diretos sobre o clima do Agreste Paraibano e a agricultura familiar de Caldas Brandão e região.

Neste post, você encontra um resumo do que os principais centros de pesquisa estão projetando para os próximos meses — do INMET ao NOAA, passando pela Organização Meteorológica Mundial (OMM) — e, mais importante, o que isso significa no dia a dia de quem planta e vive no Agreste da Borborema.

O que os órgãos oficiais estão dizendo

INMET, INPE e CEMADEN (abril/2026)

A Nota Técnica Conjunta publicada em abril de 2026 pelo INMET, INPE e CEMADEN aponta probabilidade superior a 80% de formação do El Nino no segundo semestre de 2026, podendo se estender até o início de 2027. O fenômeno deve apresentar intensidade pelo menos moderada, com possibilidade de atingir níveis fortes dependendo da evolução das anomalias de temperatura da superfície do Pacífico Equatorial.

NOAA/CPC (maio/2026)

O Climate Prediction Center da Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera dos Estados Unidos (NOAA/CPC) elevou em maio de 2026 a probabilidade de El Nino para:

  • 82% no trimestre maio-junho-julho
  • >90% a partir de agosto de 2026
  • 37% de chance de Super El Nino (anomalia > 2,0°C no Pacífico Central)

A previsão indica que o pico do fenômeno deve ocorrer entre outubro de 2026 e janeiro de 2027.

Organização Meteorológica Mundial — OMM (junho/2026)

A OMM/ONU publicou em junho de 2026 um comunicado oficial confirmando 80% de probabilidade de El Nino entre junho e agosto de 2026, com intensidade ao menos moderada. O boletim destaca que “a comunidade global deve se preparar para eventos climáticos extremos associados ao fenômeno”.

Como fica o clima do Agreste Paraibano

Para o Agreste da Borborema, onde está Caldas Brandão, o El Nino historicamente provoca:

  • Chuvas abaixo da média histórica no período de abril a junho — justamente a janela de plantio das principais culturas de sequeiro
  • Temperaturas máximas mais elevadas, com médias entre 28°C e 31°C nos meses mais quentes, podendo superar 35°C em dias de forte insolação
  • Veranicos mais frequentes — períodos de estiagem no meio da estação chuvosa que comprometem o desenvolvimento das culturas
  • Redução da umidade relativa do ar, aumentando o risco de incêndios em áreas de vegetação nativa

Segundo a AESA-PB, os índices pluviométricos já registrados em 2026 na microrregião de Itabaiana (que inclui Caldas Brandão) indicam acumulados abaixo da média histórica para o primeiro semestre, com redução estimada entre 20% e 35% em comparação com 2025.

Impactos na agricultura familiar

O El Nino de 2026 chega num momento delicado para o pequeno produtor do Agreste. Veja os principais riscos por cultura:

Mandioca

Cultura principal de Caldas Brandão, a mandioca plantada em sequeiro (sem irrigação) é altamente sensível a períodos prolongados de estiagem. O plantio da safra 2026-2027, que ocorre entre maio e junho, já enfrenta solo com menor umidade residual. Recomenda-se o uso de cultivares tolerantes como BRS Kiriris e BRS Gema de Ovo e, quando possível, irrigação de salvação nos primeiros 60 dias após o plantio.

Milho

O milho cultivado na janela de maio-junho corre risco de veranico em julho-agosto, período crítico de floração e enchimento de grãos. Cultivares precoces (ciclo de 90-110 dias) como AG 7098 e BRS 4103 são a melhor alternativa para escapar do estresse hídrico. A irrigação suplementar, mesmo que por gotejamento básico, pode salvar a safra.

Feijão

O feijão carioca e o feijão preto são as culturas mais vulneráveis. Uma estiagem de 10 a 15 dias no período de floração pode reduzir a produtividade em até 60%. Para a safra da seca (setembro-outubro), o plantio só é recomendado com irrigação ou em áreas com boa umidade residual do solo.

Palma forrageira

A palma, base da alimentação dos rebanhos no Semiárido, é mais resistente, mas o El Nino acelera a perda de água dos cladódios. O manejo com palma adensada e consorciada com sorgo forrageiro ajuda a garantir reserva de alimento para os animais no período seco.

O que fazer: recomendações práticas

  1. Antecipe o plantio — Se possível, plante até 15 de maio para aproveitar o último terço da estação chuvosa. Em anos de El Nino, cada dia de atraso reduz a produtividade potencial.
  2. Invista em captação de água — Cisternas de placa (programa P1+2 da ASA Brasil), barragens subterrâneas e cacimbas são tecnologias comprovadas de convivência com a seca. Uma cisterna de 16 mil litros pode irrigar 500 m² de horta familiar por até 3 meses.
  3. Use cobertura morta — Palhada sobre o solo reduz a evaporação e mantém a umidade por até 5 dias a mais após a chuva. Testado na EMBRAPA Algodão, a técnica aumenta a eficiência do uso da água em até 30%.
  4. Acesse o crédito rural — O Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar) tem linhas específicas para custeio e investimento em sistemas de irrigação. O Plano Safra 2025/2026 do Banco do Nordeste oferece juros reduzidos para projetos de convivência com o Semiárido.
  5. Acompanhe os boletins oficiais — O app da AESA-PB e o site do INMET têm alertas de veranico e previsão estendida. Configure notificações no celular para não perder as atualizações.
  6. Diversifique a produção — Consorciar mandioca, milho, feijão e palma reduz o risco de perda total da safra. Se uma cultura sofre com o veranico, as outras podem compensar.
  7. Participe de programas de seguridade — O Seguro Safra e o Auxílio Paraíba são instrumentos de proteção ao agricultor em caso de perda de safra por estiagem. Mantenha seu cadastro atualizado no sindicato rural e na prefeitura.

Linha do tempo: o que esperar até 2027

PeríodoO que esperar
Jun-jul 2026Consolidação do El Nino; chuvas abaixo da média no Agreste; temperaturas elevadas
Ago-out 2026Pico do fenômeno; probabilidade > 90% de condições de El Nino; veranicos intensos
Nov 2026 - jan 2027Máxima intensidade; pode impactar o pré-estação chuvosa 2027
Fev-mar 2027Possível declínio do fenômeno, mas a recuperação do regime de chuvas pode levar meses
Abr-jun 2027Janela de plantio 2027 — sujeita a atraso na regularização das chuvas se o El Nino se estender

Fontes oficiais

  • INMET, INPE & CEMADEN — Nota Técnica Conjunta sobre Previsão Sazonal, abril de 2026. gov.br/inmet
  • NOAA/CPC — El Nino/Southern Oscillation (ENSO) Diagnostic Discussion, maio de 2026. cpc.ncep.noaa.gov
  • Organização Meteorológica Mundial (OMM/ONU) — Comunicado sobre El Nino/La Nina, junho de 2026. wmo.int
  • AESA-PB — Boletins Pluviométricos 2026. aesa.pb.gov.br
  • EMBRAPA Algodão — Recomendações técnicas para cultivos de sequeiro em anos de El Nino. embrapa.br
  • Banco do Nordeste/ETENE — Impactos do El Nino na agricultura do Nordeste, 2026.

Post atualizado em 07 de junho de 2026. As previsões podem mudar conforme a evolução das condições oceânicas e atmosféricas. Volte sempre para acompanhar as atualizações.

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